Desde 2014, o investimento em imóveis na capital cresceu de forma desenfreada. Facto insólito, pois nunca em Portugal se transacionou tanto dinheiro no sector imobiliário em tão pouquíssimo tempo.

O mercado imobiliário vive um dos melhores momentos de sempre, que o diga Lisboa uma das regiões mais contempladas pelos investimentos. Em 2018, transacionaram-se 13.150 imóveis, num total de €6 mil milhões de Euros, isto é, mais 35% que em 2017. Em termos concretos, significa que em cada hora, foram mobilizados 2,4 milhões de Euros na compra e venda de imóveis em Lisboa, aproximadamente 40 mil Euros por minuto.

Os referidos valores foram registados no perímetro da Área de Reabilitação Urbana de Lisboa (ARU), que engloba na prática toda a cidade, estabelecendo um novo recorde para Lisboa. O preço médio por transação atingiu 55 mil Euros acima do registado em 2017 (€399,4 mil). Apesar de ser espectável um abrandamento no mercado, os números não param de surpreender. Os primeiros seis meses de 2018 foram os mais produtivos em número de operações, nomeadamente 7080, ou seja, mais 1000 do que na segunda metade do ano.

Se os primeiros meses de 2018 representam uma marca muito significativa face à realidade do mercado em anos anteriores, na verdade não se esperava uma subida tão expressiva em mais um ano consecutivo. Efetivamente, o volume de negócios na ARU de Lisboa tem vindo a aumentar desde 2016. Se recuarmos até 2014, a diferença é superior a 100%. O volume de negócios de 2,5 mil milhões de Euros em 2014, passou para os €6 mil milhões de Euros em 2018.

Numa análise ao pormenor por zonas lisboetas com maior tradição residencial, como a Estrela, as Avenidas Novas e Arroios, e de maior apelo turístico como Santa Maria Maior, Misericórdia e Santo António, continuaram a ser os principais alvos dos investidores, ao concentrar 60% de todo o montante transacionado.

As freguesias de Santa Maria Maior e Avenidas Novas foram líderes em 2018, ambas angariaram 12,6% do total, e cerca de 750 milhões de Euros transacionados. A freguesia de Santo António (que corresponde ao eixo da Avenida da Liberdade), apesar de ter sido o principal destino de investimento em 2017, perdeu representatividade de 14,5% para 11,6%, mas continuou a manter um volume de investimento expressivo e em crescimento.