Este é o estado atual do mercado: predomina uma certa cautela da parte de quem compra e uma tomada de consciência dos riscos da sobrevalorização.

Segundo os dados mais recentes do inquérito mensal de confiança Portuguese Housing Market Survey, elaborado pela Confidencial Imobiliário e pelo RICS, e com base nas respostas dos responsáveis de 150 empresas, os resultados apontam para um mercado residencial cada vez menos dinâmico, apresentando desde Abril, um abrandamento quer na procura quer nas vendas.

Uma das conclusões a que se chega, é a existência de uma evidente desaceleração com impacto direto nos preços. Já se verifica alguns sinais de estabilização, apesar da falta de oferta continuar a exercer alguma pressão sobre os preços.

O Diretor da Confidencial ImobiliárioRicardo Guimarães revela com base na maioria dos comentários dos inquiridos, que os investidores surgem mais cuidadosos ao procurar as melhores oportunidades, mostrando-se conscientes dos riscos da sobrevalorização. Por outro lado, os vendedores já estão igualmente a rever as suas expetativas em baixa, ao baixar os preços pedidos pelos seus imóveis.

No entanto, existe outro fator importante a considerar. Alguns investidores estão cientes que a quantidade de novas casas em construção está a pressionar também os preços, principalmente no mercado de revendas. Além disso, os operadores têm conhecimento das restrições de acesso ao crédito que limitam fortemente a potencial procura, provocando assim a descida de novos créditos concedidos.

Por conseguinte, o inquérito de abril indica pelo segundo mês consecutivo, uma descida a nível nacional, na procura em simultâneo com as vendas. Efetivamente, existe uma tendência de queda em Lisboa e no Algarve, mas mantendo-se o mercado estável no Porto. No campo da oferta, as novas angariações voltaram a cair com um saldo líquido de -33%, sendo a descida mais baixa desde Dezembro de 2018.

O relatório refere ainda que, as expetativas para os 12 meses seguintes continuam a ser revistas em baixa, com os intervenientes do ramo a aguardar uma subida de preços, um 1 ponto percentual abaixo do registado há apenas dois meses atrás. Ainda assim, verifica-se uma estabilização dos preços em Lisboa e no Algarve, embora no Porto os preços continuam a ser marcados por um forte crescimento.