Já foram concedidos 927 milhões de Euros para comprar casa, só no mês de maio. É o valor mais elevado desde Junho de 2018, antes das limitações impostas pelo Banco de Portugal. A continuar a este ritmo, 2019 será o ano mais forte da década.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, apenas no mês de maio, já foram concedidos 927 milhões de Euros, em novas operações de crédito para a aquisição de casa. É o valor mais alto desde Junho do ano passado. Mesmo antes do “travão” imposto pelo Banco de Portugal em Julho de 2018, em que entrou em vigor as recomendações para os bancos apertarem as condições de concessão de crédito à habitação e ao consumo.

Assim, este valor reflete aproximadamente, o triplo dos montantes concedidos em crédito à habitação na primeira metade de 2015. Traduz igualmente que a concessão de crédito continua em alta, apesar do alerta dado pelo Banco de Portugal. Tais imposições visam reduzir a maturidade média dos empréstimos de 40 para 30 anos, bem como limitar a 90% do valor do financiamento em relação ao valor da avaliação.

Contudo, a concorrência entre os bancos tem conduzido a uma diminuição das taxas de juro propostas nos novos contratos. Há bancos a garantir um spread de 1%. No final de Fevereiro, a taxa de juro média dos novos créditos à habitação desceu três pontos-base e fixou-se nos 1,37%. Esta descida ocorre, mesmo com os bancos a propor contratos de taxa fixa.

Ainda assim, o valor dos novos créditos tem vindo a oscilar entre os 700 milhões e os 800 milhões de Euros, nos últimos meses. No entanto, voltou a verificar-se uma subida para os 927 milhões de Euros, um excelente indício para o mercado imobiliário. Embora as estatísticas apontem para uma grande parte das compras de imóveis, serem realizadas com pelo menos metade do investimento em capitais próprios.

Bancos e Famílias em onda de confiança

As famílias consideram o recurso ao crédito, um claro sinal de confiança na economia. Os portugueses acreditam que as taxas Euribor vão manter-se em níveis baixos durante os próximos anos, e, por conseguinte, os custos dos seus contratos de crédito não irão, em princípio aumentar.

Por outro lado, os bancos acreditam que os preços das habitações em Portugal vão continuar em alta, e que em caso de incumprimento de contratos, a recuperação dos empréstimos está garantida. Em 2018, o preço médio de venda dos imóveis no país subiu 10,3%. Em Fevereiro de 2019, o metro quadrado avaliado pela banca bateu recordes. Cada metro quadrado valeu, em média, 1239 Euros, e o valor não pára de subir há 23 meses consecutivos. Actualmente, os bancos estão a financiar até 80% do valor dos imóveis.